Caio Fernando Abreu

"Depois de todas as tempestades e naufrágios, o que sobra de mim em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro." Caio Fernando Abreu

02 maio 2009

Futuro


"Confie na sua intuição. E siga em linha reta. É o futuro que
você vai construir! Lute, mas lute com todas as forças.
Você é Luz! Neste momento, anjos te cercam, abençoam
seus projetos. Com esta certeza, não desista de nada. 
Reconheça que você merece Ser Feliz ! 
E não olhe para o passado.
Imite os pássaros na longa Viagem.
Apenas tenha certeza de que vai Chegar"
(desconheço a autoria)

01 maio 2009

Esperança

Saúdo-te, Esperança, tu que vens de longe,
inundas com teu canto os tristes corações,
tu que dás novas asas aos sonhos mais antigos,
tu que nos enches a alma de brancas ilusões.
Saúdo-te, Esperança. Tu forjarás os sonhos
naquelas solitárias desenganadas vidas,
carentes do possível de um futuro risonho,
naquelas que inda sangram as recentes feridas.
Ao teu sopro divino fugirão as dores
como tímido bando de ninho despojado,
e uma aurora radiante, com suas belas cores,
anunciará às almas que o amor é chegado.

30 abril 2009

Pelos olhos meus

Ao olhar o mundo eu vejo muito de mim.
Se eu estou triste vejo sombras.
Se eu estou feliz vejo luzes.
(Valmor Vieira)

28 abril 2009

Reverberação

O destino trama os dias
e desfaz o sonho: demarca
meus contornos, partes
disso que sou e serei.

Quem sabe desejei demais:
milagres não me bastaram,
mas quando eu quis ser rainha
fui simplesmente humana.

A voz da vida insiste,
chama para o que salva
ou desatina:
nem sempre a entendi.

Palavras buscam sentido
para o que fiz, falhei,
conquistei e perdi
– ou que me abandonou
nalguma esquina.

(Talvez eu precisasse é dos silêncios)

25 abril 2009

Minha alma

Minha alma é um bolso onde guardo
minhas memórias vivas.
Memórias vivas são aquelas que
continuam presentes no corpo.
Uma vez lembradas, o corpo ri, chora,
comove-se, dança...
"O que a memória amou fica eterno"

20 abril 2009

O riso

Aquele riso foi o canto célebre
Da primeira estrela, em vão.
Milagre de primavera intacta
No sepulcro de neve
Rosa aberta ao vento, breve
Muito breve...

Não, aquele riso foi o canto célebre
Alta melodia imóvel
Gorjeio de fonte núbil
Apenas brotada, na treva...
Fonte de lábios (hora
Extremamente mágica do silêncio das aves).

Oh, música entre pétalas
Não afugentes meu amor!
Mistério maior é o sono
Se de súbito não se ouve o riso na noite.

19 abril 2009

Movimentos...

Todos os movimentos da sensibilidade, por agradáveis que sejam, são sempre interrupções de um estado, que não sei em que consiste, que é a vida íntima dessa própria sensibilidade. Não só as grandes preocupações, que nos distraem de nós, mas até as pequenas arrelias, pertubam uma quietação a que todos, sem saber, aspiramos.
Vivemos quase sempre fora de nós, e a mesma vida é uma perpétua dispersão. Porém, é para nós que tendemos, como para um centro em torno do qual fazemos, como os planetas, elipses absurdas e distantes.  (do'Livro do Desassossego')

Sou...

Sou mais velho que o Tempo e que o Espaço, porque sou consciente. As coisas derivam de mim; a Natureza inteira é a primogênita da minha sensação.

Busco – não encontro. Quero e não posso.

Sem mim, o sol nasce e se apaga; sem mim a chuva cai e o vento geme. Não são por mim as estações, nem o curso dos meses, nem a passagem das horas.

Dono do mundo em mim, como de terras que não posso trazer comigo, {espaço em branco deixado pelo autor}
(do 'Livro do Desassossego, pág. 221)

Estética do desalento

Já que não podemos extrair beleza da vida, busquemos ao menos extrair beleza de não poder extrair beleza da vida. Façamos da nossa falência uma vitória, uma coisa positiva e erguida, com colunas, majestade e aquiescência espiritual.
Se a vida [não] nos deu mais do que uma cela de reclusão, façamos por ornamentá-la, ainda que mais não seja, com as sombras de nossos sonhos, desenhos a cores mistas esculpindo o nosso esquecimento sobre a parada exterioridade dos muros.
Como todo o sonhador, senti sempre que o meu mister era criar. Como nunca soube fazer um esforço ou ativar uma intenção, criar coincidiu-me sempre com sonhar, querer ou desejar, e fazer gestos com sonhar os gestos que desejaria poder fazer.
(do 'Livro do Desassossego')

14 abril 2009

Biblioteca

Desde o primeiro Adão que viu a noite, o dia e a forma de sua mão, os homens inventaram histórias e gravaram em pedra, metal ou pergaminho qualquer coisa que o mundo inclua ou os sonhos criem. Eis o fruto de seu trabalho: a Biblioteca... Os desprovidos de fé dizem que, se ela fosse queimada, a história se queimaria com ela. Estão errados. O trabalho humano incessante deu à luz uma infinidade de livros. Se, de todos eles, nenhum permanecesse, o homem recomeçaria a produzir cada página e cada linha.

– Jorge Luis Borges, sobre a Biblioteca de Alexandria –

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